As voltas da minha vida sempre foram de 360º. Sempre. Era oito ou oitenta. Simples assim. Até que você chegou. Amiga como poucos. Sintonia que não via há muito tempo. Vontade de saber que está tudo bem, de fazer tudo ficar bem. Eu deveria ter deixado dessa forma, porque estava gostoso só ficar te observando, ver como você rir bonitinho e tímido de canto de boca. Até que você deu outro 360º. Fiquei muito bem com isso. Super bem. Super satisfeita. Época nova. Pessoa nova. Sentimentos novos. Confiança. Esperança.
Aí, sem mais nem menos, você desfez a volta. Disse que não estava pronta, que foi cedo demais. Não vou dizer que fiquei satisfeita com isso, certo? Mas quem deu a volta foi você. Ela era sua. Você tinha todo direito de fazer com ela o que quisesse. Você seguiu com sua volta desfeita e eu segui com uma ilusão apagada. Até que você voltou. Tão inesperada quando chegou. Diz que voltou diferente. Você não nota que voltou exatamente igual? A única diferença é o compromisso que você jura de pés juntos que não quer ter. Quer saber? Você sabe que pode dizer que não se importa, mas implica com qualquer intimidade maior de alguém que você não conhece. Você me olha triste quando levanto para atender alguma ligação. Você sabe que pode ter milhões de mulheres mais bonitas, gostosas, atraentes, “orgulhinho para sair mostrando”. Sabemos disso. Mas você sabe muito bem que nenhuma delas é melhor que eu. Você prefere não ver, mas eu vejo você esse tempo todo.
Quero dizer que você chegou e mudou tudo. Mudou as minhas voltas, meu humor, meu jeito que tratar desconhecidos, mudou muita coisa. Mas não me mudou. Continuo precisando saber onde estou pisando. Eu preciso disso para arriscar, entende? Não temos um contrato, mas combinamos que não seremos. Não sei bem o que, mas não seremos. Eu quero que você continue dando muitas voltas na minha vida, mas não as desfaça. Nunca mais. Relaxa! Não vou morrer de amores por você. Não agora. Posso colocar um post-it na sua carteira? Eu tento ser sua, quero ter razão quando digo que você é minha. Mas esbarro nos seus limites.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
sábado, 31 de janeiro de 2009
Chamem a Madonna.
Um problema comparado a outro problema, emendado a outro problema, embolado com outro problema.
Sempre um quer parecer pior que o outro. Qual a vantagem? Dó? Piedade? Passadas de mão na cabeça? Fazer com que o outro sinta-se fútil porque o problema de um é maior que o outro, e estamos reclamando de barriga cheia?
Todo mundo tem problemas, só não é preciso gritar aos quatro ventos o que acontece ou deixa de acontecer na vida desse bando de infelizes. Que aí, quando a gente chama de infeliz e desgraçado, ficam bravos. Mas se o mundo está assim com eles, se eles estão por aí, com problema com a namorada, a mesada diminuiu, o pai tirou o carro, brigou com a mãe, assumiu a homossexualidade e os pais não disseram "que ótimo, meu filho!" e essas coisas todas, e eles fazem questão de reclamar disso e de chorar as pitangas pro primeiro que aparecer e pros próximos 20 que vierem, é porque querem, sim, parecer um bando de infelizes e desgraçados e que a humanidade tenha dó e piedade desses pobres indefesos.
Foda-se essa gente.
Sempre um quer parecer pior que o outro. Qual a vantagem? Dó? Piedade? Passadas de mão na cabeça? Fazer com que o outro sinta-se fútil porque o problema de um é maior que o outro, e estamos reclamando de barriga cheia?
Todo mundo tem problemas, só não é preciso gritar aos quatro ventos o que acontece ou deixa de acontecer na vida desse bando de infelizes. Que aí, quando a gente chama de infeliz e desgraçado, ficam bravos. Mas se o mundo está assim com eles, se eles estão por aí, com problema com a namorada, a mesada diminuiu, o pai tirou o carro, brigou com a mãe, assumiu a homossexualidade e os pais não disseram "que ótimo, meu filho!" e essas coisas todas, e eles fazem questão de reclamar disso e de chorar as pitangas pro primeiro que aparecer e pros próximos 20 que vierem, é porque querem, sim, parecer um bando de infelizes e desgraçados e que a humanidade tenha dó e piedade desses pobres indefesos.
Foda-se essa gente.
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
Vida Torta de Limão
Comparando com alguma coisa, resolvi que minha vida afetiva é uma torta de limão: doce e azeda.
O doce:
Estou quieta, quieta como uma pena. Porém, o vento me levou para o meio do asfalto e, entre um carro e um caminhão, desvio, movendo-me e esquivando-me do perigo. É claro que consigo sempre sobreviver. Sobrevida, exatamente isso. E é claro que espero que alguém estacione e me tire do meio do caos, que além de perigoso, quando não está molhado e me afogo, está fervendo e queimo.
Já não sou uma pena bonita por dentro. Por fora, sou como as outras penas: absorvo todas as cores, e não me sobressaio entre a do piche.
Certa vez, juntaram-me e guardaram dentro de um bolso, mas o vento me levou de novo. Outro dia, fiquei trancada em um armário, abafada. Eu fugi. Depois, me jogaram fora porque eu não era mais tão macia. E assim eu fui me perdendo, até maio.
É claro que a vida me fez insegura. É claro que eu deveria colocar mais as 6395 vezes em que escapei de alguma forma, ou que escaparam de mim. Mas a vida é um resumo e a gente apaga muita coisa que, ou não serve mais, ou não queremos que sirva.
Por toda insegurança, não dei o primeiro passo, não levei a sério e deixei, sim, em banho-maria. Confesso, não sentia sinceridade em palavra alguma que me era dita. Ela era de São Paulo. Eu, de Santa Catarina. Ninguém me conhecia, ninguém a conhecia. Nós nos conheciamos... e sabiamos disso.
Por fim, apaixonaram-se: eu e a menina.
O azedo:
Nunca disse que após o terceiro encontro eu continuaria sendo o príncipe encantado do conto de fadas. Nem que o meu beijo é doce e que podes te envenenar. Nem que eu desvio o olhar. Nem que seria fácil. Nem que...
Essa distância, essa ausência, esse medo. E essa vida, que só é vida bem vivida quando, uma vez a cada mes, eu acordo ao lado dela. Esses dias que têm passado lentos, e longos, e tristes. Dias que o que me faz falta é o que sempre esteve comigo sem eu saber. E que mora tão longe, por erro geográfico do destino.
A questão é que eu sempre enjoei de torta de limão, mas agora tem sido diferente. Existe um ingrediente, apenas um ingrediente, que me faz querer que a torta de limão seja muito, muito, muito doce e que nunca falte em minha boca. O meu ingrediente secreto tem nome, sobrenome e o sabor de leite açucarado. E eu desejo que em cada mesa, em cada coração, por mais feia que seja a careta que se faça ao sentir o limão, cada pessoa tenha o direito a uma torta assim: com açucar, com afeto.
love,
B.
O doce:
Estou quieta, quieta como uma pena. Porém, o vento me levou para o meio do asfalto e, entre um carro e um caminhão, desvio, movendo-me e esquivando-me do perigo. É claro que consigo sempre sobreviver. Sobrevida, exatamente isso. E é claro que espero que alguém estacione e me tire do meio do caos, que além de perigoso, quando não está molhado e me afogo, está fervendo e queimo.
Já não sou uma pena bonita por dentro. Por fora, sou como as outras penas: absorvo todas as cores, e não me sobressaio entre a do piche.
Certa vez, juntaram-me e guardaram dentro de um bolso, mas o vento me levou de novo. Outro dia, fiquei trancada em um armário, abafada. Eu fugi. Depois, me jogaram fora porque eu não era mais tão macia. E assim eu fui me perdendo, até maio.
É claro que a vida me fez insegura. É claro que eu deveria colocar mais as 6395 vezes em que escapei de alguma forma, ou que escaparam de mim. Mas a vida é um resumo e a gente apaga muita coisa que, ou não serve mais, ou não queremos que sirva.
Por toda insegurança, não dei o primeiro passo, não levei a sério e deixei, sim, em banho-maria. Confesso, não sentia sinceridade em palavra alguma que me era dita. Ela era de São Paulo. Eu, de Santa Catarina. Ninguém me conhecia, ninguém a conhecia. Nós nos conheciamos... e sabiamos disso.
Por fim, apaixonaram-se: eu e a menina.
O azedo:
Nunca disse que após o terceiro encontro eu continuaria sendo o príncipe encantado do conto de fadas. Nem que o meu beijo é doce e que podes te envenenar. Nem que eu desvio o olhar. Nem que seria fácil. Nem que...
Essa distância, essa ausência, esse medo. E essa vida, que só é vida bem vivida quando, uma vez a cada mes, eu acordo ao lado dela. Esses dias que têm passado lentos, e longos, e tristes. Dias que o que me faz falta é o que sempre esteve comigo sem eu saber. E que mora tão longe, por erro geográfico do destino.
A questão é que eu sempre enjoei de torta de limão, mas agora tem sido diferente. Existe um ingrediente, apenas um ingrediente, que me faz querer que a torta de limão seja muito, muito, muito doce e que nunca falte em minha boca. O meu ingrediente secreto tem nome, sobrenome e o sabor de leite açucarado. E eu desejo que em cada mesa, em cada coração, por mais feia que seja a careta que se faça ao sentir o limão, cada pessoa tenha o direito a uma torta assim: com açucar, com afeto.
love,
B.
domingo, 19 de outubro de 2008
conformismo
se soubesse como tenho te amado
e percebido a bagunça nesse teu olhar
entenderias como tenho te desejado
a ponto de meu peito estourar
se soubesse como tenho evitado
a possibilidade de não te amar
entenderias por que não tenho te procurado
nem esperado você chegar
só levo na lembrança
o beijo dos teus dedos com os meus
mike
e percebido a bagunça nesse teu olhar
entenderias como tenho te desejado
a ponto de meu peito estourar
se soubesse como tenho evitado
a possibilidade de não te amar
entenderias por que não tenho te procurado
nem esperado você chegar
só levo na lembrança
o beijo dos teus dedos com os meus
mike
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