sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Vida Torta de Limão

Comparando com alguma coisa, resolvi que minha vida afetiva é uma torta de limão: doce e azeda.

O doce:
Estou quieta, quieta como uma pena. Porém, o vento me levou para o meio do asfalto e, entre um carro e um caminhão, desvio, movendo-me e esquivando-me do perigo. É claro que consigo sempre sobreviver. Sobrevida, exatamente isso. E é claro que espero que alguém estacione e me tire do meio do caos, que além de perigoso, quando não está molhado e me afogo, está fervendo e queimo.
Já não sou uma pena bonita por dentro. Por fora, sou como as outras penas: absorvo todas as cores, e não me sobressaio entre a do piche.
Certa vez, juntaram-me e guardaram dentro de um bolso, mas o vento me levou de novo. Outro dia, fiquei trancada em um armário, abafada. Eu fugi. Depois, me jogaram fora porque eu não era mais tão macia. E assim eu fui me perdendo, até maio.
É claro que a vida me fez insegura. É claro que eu deveria colocar mais as 6395 vezes em que escapei de alguma forma, ou que escaparam de mim. Mas a vida é um resumo e a gente apaga muita coisa que, ou não serve mais, ou não queremos que sirva.
Por toda insegurança, não dei o primeiro passo, não levei a sério e deixei, sim, em banho-maria. Confesso, não sentia sinceridade em palavra alguma que me era dita. Ela era de São Paulo. Eu, de Santa Catarina. Ninguém me conhecia, ninguém a conhecia. Nós nos conheciamos... e sabiamos disso.
Por fim, apaixonaram-se: eu e a menina.

O azedo:
Nunca disse que após o terceiro encontro eu continuaria sendo o príncipe encantado do conto de fadas. Nem que o meu beijo é doce e que podes te envenenar. Nem que eu desvio o olhar. Nem que seria fácil. Nem que...
Essa distância, essa ausência, esse medo. E essa vida, que só é vida bem vivida quando, uma vez a cada mes, eu acordo ao lado dela. Esses dias que têm passado lentos, e longos, e tristes. Dias que o que me faz falta é o que sempre esteve comigo sem eu saber. E que mora tão longe, por erro geográfico do destino.

A questão é que eu sempre enjoei de torta de limão, mas agora tem sido diferente. Existe um ingrediente, apenas um ingrediente, que me faz querer que a torta de limão seja muito, muito, muito doce e que nunca falte em minha boca. O meu ingrediente secreto tem nome, sobrenome e o sabor de leite açucarado. E eu desejo que em cada mesa, em cada coração, por mais feia que seja a careta que se faça ao sentir o limão, cada pessoa tenha o direito a uma torta assim: com açucar, com afeto.

love,
B.

domingo, 19 de outubro de 2008

conformismo

se soubesse como tenho te amado
e percebido a
bagunça nesse teu olhar
entenderias como tenho te desejado
a ponto de meu peito estourar

se soubesse como tenho evitado
a possibilidade de não te amar
entenderias por que não tenho te procurado
nem esperado você chegar

só levo na lembrança
o beijo dos teus dedos com os meus

mike